Morte Lenta
oi

oi, como vc vai?

Oi Alex, tudo bem? Acho que nem se recorda de mim, e nem sei quando entrará aqui novamente, não encontro você nas redes sociais, mas enfim, se algum dia ver isso aqui, me dê um salve. Abraços, Camila

Me lembro de você. 

Oi, Camila. Como é que vc vai?

‘Neste matadouro, cruzar os braços, ou sacar a espada são igualmente vãos…

“Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos a preguiça; haveria, pelo menos, uma propriedade como que positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. "Preguiçoso!” realmente é um título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeiro dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em me respeitar incessantemente.“

(Memórias do Subsolo - Fiódor Dostoiévski )

“A morte vem esplêndida.
Se tivesse um olhar,
Ele seria o mais sedutor
de todos os olhares,
dos mais enigmáticos…”
(Sísifo Feliz)

“A morte vem esplêndida.

Se tivesse um olhar,

Ele seria o mais sedutor

de todos os olhares,

dos mais enigmáticos…”

(Sísifo Feliz)

Eu acho que estava à beira da loucura. Sabe quando você chega a dar aquele passinho para o lado de lá? Primeiros passos…
Sísifo Feliz
eponymously:
“ “All my life I’ve been searching, wondering, talking without meaning or context. It has been nothing. Yes, I say this without bitterness or self-reproach, as I know that almost all of people’s lives are made this way. My heart is...

eponymously:

“All my life I’ve been searching, wondering, talking without meaning or context. It has been nothing. Yes, I say this without bitterness or self-reproach, as I know that almost all of people’s lives are made this way. My heart is empty. And emptiness is a mirror turned to my own face. I see myself and am seized with disgust and fear. Through my indifference for people, I’ve been placed outside of their society. Now I live in a ghost world, enclosed in my dreams and imaginings.” | Ingmar Bergman, The Seventh Seal

Para que tanta consciência da morte?

Deixo por escrito, para todos os que vierem depois de mim, que não tenho em que acreditar neste mundo e que a única escapatória é o esquecimento absoluto. Gostaria de me esquecer de tudo, esquecer-me completamente de mim e deste mundo. As verdadeiras confissões só podem ser escritas com lágrimas. Mas as minhas lágrimas inundariam este mundo, assim como o meu fogo interior o incendiaria. Não preciso de apoio não preciso de estímulo nem de compaixão, pois, embora eu seja o mais decadente, sinto-me forte, duro e feroz! Sou de fato o único homem a viver sem esperança. Ora, isso é o cúmulo do heroísmo, seu paroxismo e seu paradoxo. Loucura suprema! Eu deveria canalizar toda a paixão caótica e desorientada que me habita para esquecer tudo, para não ser mais nada, para escapar do espírito e da consciência. Eu também tenho esperança; a esperança do esquecimento absoluto. Mas isso ainda é esperança? Não seria desespero? Não seria essa esperança a negação de todas as esperanças futuras? Não quero saber de mais nada, nem mesmo saber que de nada sei. Para que tanta complicação, discussão e aborrecimento? Para que tanta consciência da morte? Basta de tanta filosofia e tanto pensamento!

( Emil Cioran )

Tocado pelo trabalho duro
imerso em seus braços
Amaldiçoado pela noite,
pelos olhos alarmados
Uma melodia negra
sai de minha respiração
Procurando por morte…
Mas corpos precisam dormir
Corpo
Debaixo da terra agora,
procurando vermes
Tudo que temo é tudo que aprendi
Tudo que sei é tudo que penso
A sensação de estar morto é boa,
morro lentamente
Corpos precisam descansar,
todos nós precisamos dormir,
dormir tranquilos.
Corpos precisam de seu descanso.
Mas volte de manhã, volte firme.
 
Acorde
Acorde
Acorde
Acorde
Agarrando e mordendo
minha alma arde em chamas
Meu mal começa agora
estou preso nesse desejo
Eu vivo por tudo aquilo que sou
Amando, tudo isso está dentro dos planos.
Mais um sobre a mentira…
Aceito a vida por cortesia: a revolta perpétua é de tão mau gosto como o sublime do suicídio. Aos vinte anos se rompe em impropérios contra os céus e a imundície que está sob ele… depois se cansa. A pose trágica só corresponde à puberdade prolongada e ridícula; mas são necessárias mil provas para alcançar o histrionismo do desapego. Quem - emancipado de todos os princípios de costume - não dispusesse de nenhum dom de comediante, seria o arquétipo do infortúnio, o ser idealmente desgraçado. É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a “doçura” de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer. Conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade…
( Emil Cioran )
A verdade é contrária à nossa natureza, o erro não, e isso por uma razão muito simples: a verdade exige o reconhecimento de nossas próprias limitações, o erro nos dá a ilusão de que, de um jeito ou de outro, somos ilimitados.
( Goethe)
A verdade é contrária à nossa natureza, o erro não, e isso por uma razão muito simples: a verdade exige o reconhecimento de nossas próprias limitações, o erro nos dá a ilusão de que, de um jeito ou de outro, somos ilimitados.


( Goethe)