oi, como vc vai?
Me lembro de você.
Oi, Camila. Como é que vc vai?
“Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos a preguiça; haveria, pelo menos, uma propriedade como que positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. "Preguiçoso!” realmente é um título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeiro dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em me respeitar incessantemente.“
(Memórias do Subsolo - Fiódor Dostoiévski )

“A morte vem esplêndida.
Se tivesse um olhar,
Ele seria o mais sedutor
de todos os olhares,
dos mais enigmáticos…”
(Sísifo Feliz)
| — | Sísifo Feliz |

“All my life I’ve been searching, wondering, talking without meaning or context. It has been nothing. Yes, I say this without bitterness or self-reproach, as I know that almost all of people’s lives are made this way. My heart is empty. And emptiness is a mirror turned to my own face. I see myself and am seized with disgust and fear. Through my indifference for people, I’ve been placed outside of their society. Now I live in a ghost world, enclosed in my dreams and imaginings.” | Ingmar Bergman, The Seventh Seal
Deixo por escrito, para todos os que vierem depois de mim, que não tenho em que acreditar neste mundo e que a única escapatória é o esquecimento absoluto. Gostaria de me esquecer de tudo, esquecer-me completamente de mim e deste mundo. As verdadeiras confissões só podem ser escritas com lágrimas. Mas as minhas lágrimas inundariam este mundo, assim como o meu fogo interior o incendiaria. Não preciso de apoio não preciso de estímulo nem de compaixão, pois, embora eu seja o mais decadente, sinto-me forte, duro e feroz! Sou de fato o único homem a viver sem esperança. Ora, isso é o cúmulo do heroísmo, seu paroxismo e seu paradoxo. Loucura suprema! Eu deveria canalizar toda a paixão caótica e desorientada que me habita para esquecer tudo, para não ser mais nada, para escapar do espírito e da consciência. Eu também tenho esperança; a esperança do esquecimento absoluto. Mas isso ainda é esperança? Não seria desespero? Não seria essa esperança a negação de todas as esperanças futuras? Não quero saber de mais nada, nem mesmo saber que de nada sei. Para que tanta complicação, discussão e aborrecimento? Para que tanta consciência da morte? Basta de tanta filosofia e tanto pensamento!
( Emil Cioran )


